Acordei no meio da noite assustada, droga, era mais um daqueles pesadelos lúcidos, odiava ter que sentir medo até mesmo em um sonho, odiava a sensação de estar indefesa, de ver tudo que eu mais temo e não poder fazer nada -nem mesmo acordar.
Não é muito incomum esse tipo de coisa acontecer, da mesma maneira, que não é muito incomum eu não conseguir voltar a dormir.
Levantei da cama, fitei todo aquele quarto escuro, atravessei o quarto em meio a tropeços por causa das inúmeras coisas espalhadas pelo chão, e cheguei á porta - finalmente.
Fui ao banheiro lavar o rosto e achei embaixo da pia meu par de pantufas desaparecido, calcei aqueles sapatos fofos, lavei o rosto, me olhei no espelho e vi o reflexo de uma vida corrompida e cansada, um corpo com pele branca e meio pálida, olhos acinzentados, cabelos meio acabados por causa da tinta branca colocada nele regularmente e dos vários alisamentos - Droga! meu cabelo nunca será mais o mesmo, com enormes cachos que davam ar de inocência-, lábios em um leve tom de rosa. Mas graças ao meu remexer na cama, tudo que pude ver foi um cabelo desgrenhado e um rosto amassado de travesseiro, mais nada.
Me arrastei pela casa até a cozinha- até agora não me lembro de como eu consegui descer as escadas no escuro e com sono- e já que eu não iria dormir de qualquer forma, preparei um café para que pelo menos o cansaço sumisse.
Ainda eram 4 e 30 da manhã, e a essa hora não há nada de interessante na mídia, voltei ao meu quarto ainda segurando a xícara de café e ascendi a luz -A vista de toda aquela bagunça era estranha, mas eu conseguia me encontrar lá no meio-. Atravessei o quarto dessa vez, sem esbarrar em praticamente nenhum dos objetos ora deixados por mim
Cheguei até uma mesa amontoada de livros e álbuns de fotos e recortes de jornal, todos sobre investigações policiais, assassinatos, assassinos em série, entre outros.
Aqueles arquivos e historias prendiam minha atenção de uma forma que eu não podia controlar, é como se houvesse em mim um fascínio por tudo isso.
Fiquei sentada á frente da mesa olhando, pesquisando, vendo e revendo todas as informações , as hipóteses, as cartas enviadas por assassinos e farsantes, tudo era lindo - se assim posso dizer- demais
Quando me dei por mim, olhei o relógio e já eram 7 horas. Droga, eu sou tão distraída como eu fui perder a noção do tempo?
Corri para o banheiro, despi-me rapidamente, entrei no embaixo do chuveiro e tomei um banho rápido, enrolada na toalha, corri para o quarto, coloquei uma calça jeans preta, a blusa de uniforme feia - cinza com mangas vermelhas- e uma blusa de moletom cinza por cima. Penteei os cabelos que mais pareciam uma rebelde juba, e coloquei meu anel em um de meus dedos.
Puxei a mochila da escola, joguei-a nas costas, corri até a cozinha e tomei mais uma xícara de café acompanhada de algumas bolachas.
Sem tempo para mais nada, fui correndo para a escola, torcendo para que eu pudesse assistir a aula de 8 horas
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