terça-feira, 5 de março de 2013

Capítulo 01

Essa garota, tão distraída...


Acordei no meio da noite assustada, droga, era mais um daqueles pesadelos lúcidos, odiava ter que sentir medo até mesmo em um sonho, odiava a sensação de estar indefesa, de ver tudo que eu mais temo e não poder fazer nada -nem mesmo acordar.
Não é muito incomum esse tipo de coisa acontecer, da mesma maneira, que não é muito incomum eu não conseguir voltar a dormir.
Levantei da cama, fitei todo aquele quarto escuro, atravessei o quarto em meio a tropeços por causa das inúmeras coisas espalhadas pelo chão, e cheguei á porta - finalmente.
Fui ao banheiro lavar o rosto e achei embaixo da pia meu par de pantufas desaparecido, calcei aqueles sapatos fofos, lavei o rosto, me olhei no espelho e vi o reflexo de uma vida corrompida e cansada, um corpo com pele branca e meio pálida, olhos acinzentados, cabelos meio acabados por causa da tinta branca colocada nele regularmente e dos vários alisamentos - Droga! meu cabelo nunca será mais o mesmo, com enormes cachos que davam ar de inocência-, lábios em um leve tom de rosa. Mas graças ao meu remexer na cama, tudo que pude ver foi um cabelo desgrenhado e um rosto amassado de travesseiro, mais nada.
Me arrastei pela casa até a cozinha- até agora não me lembro de como eu consegui descer as escadas no escuro e com sono- e já que eu não iria dormir de qualquer forma, preparei um café para que pelo menos o cansaço sumisse.
Ainda eram 4 e 30 da manhã, e a essa hora não há nada de interessante na mídia, voltei ao meu quarto ainda segurando a xícara de café e ascendi a luz -A vista de toda aquela bagunça era estranha, mas eu conseguia me encontrar lá no meio-. Atravessei o quarto dessa vez, sem esbarrar em praticamente nenhum dos objetos ora deixados por mim
Cheguei até uma mesa amontoada de livros e álbuns de fotos e recortes de jornal, todos sobre investigações policiais, assassinatos, assassinos em série, entre outros.
Aqueles arquivos e historias prendiam minha atenção de uma forma que eu não podia controlar, é como se houvesse em mim um fascínio por tudo isso.
Fiquei sentada á frente da mesa olhando, pesquisando, vendo e revendo todas as informações , as hipóteses, as cartas enviadas por assassinos e farsantes, tudo era lindo - se assim posso dizer- demais
Quando me dei por mim, olhei o relógio e já eram 7 horas. Droga, eu sou tão distraída  como eu fui perder a noção do tempo?
Corri para o banheiro, despi-me rapidamente, entrei no embaixo do chuveiro e tomei um banho rápido, enrolada na toalha, corri para o quarto, coloquei uma calça jeans preta, a blusa de uniforme feia - cinza com mangas vermelhas- e uma blusa de moletom cinza por cima. Penteei os cabelos que mais pareciam uma rebelde juba, e coloquei meu anel em um de meus dedos.
Puxei a mochila da escola, joguei-a nas costas, corri até a cozinha e tomei mais uma xícara de café acompanhada de algumas bolachas.
Sem tempo para mais nada, fui correndo para a escola, torcendo para que eu pudesse assistir a aula de 8 horas